Farinha!

 Apesar do segundo turno das eleições majoritárias, o que se deu por força da expressiva e gloriosa votação obtida pela candidata Marina Silva não obstante toda a manipulação e pressão de determinados setores e certos institutos de pesquisa com claro objetivo de tentar empurrar garganta abaixo o candidato que lhes atende em seus interesses, o resultado das urnas coloca-nos diante de um dilema: dois candidatos que se equivalem.

 Desde a abertura chamada democrática, as eleições tem se polarizado entre os dois partidos que agora concorrem à cadeira presidencial, porém, em escrutínios anteriores as posições dos partidos eram extremas, conflitantes, havia de fato uma oposição, o que não se mostra desde que o atual presidente foi eleito, sobretudo, seu partido que se desvinculou das idéias panfletárias de outrora e assumiu uma posição mais central, deixando de lado todo o conteúdo ideológico que trazia consigo desde a fundação.

 Apesar de um segundo turno e o esperado ‘confronto’ e maior exposição dos candidatos, as idéias serão as mesmas, nada de novo ou diferente entre eles. O PT se transformou num PSDB disfarçado, após experimentar e se emporcalhar com o banquete que a corrupção no poder proporciona. Já o PSDB é a velha história da elitização da política.

 Os partidos possuem a mesma plataforma; pouca diferença no discurso político, que se resume à questão social (completamente distorcida) com enfoque mais acentuado num dos partidos concorrentes; fora esse pequeno hiato, nada muda com relação aos programas de governo e, especialmente, gestão de ambos os partidos. Diferentemente, disto, dos concorrentes com discurso díspar de PT e PSDB, Marina é quem possuía maiores chances de disputar a nova etapa eleitoral, mas, ficamos sem alternativa ideológica e verdadeiramente oposicionista.

 Podemos afirmar que os cidadãos brasileiros estarão com o ‘nobre dever democrático’ de escolherem farinhas vindas de sacos diferentes (as embalagens podem ate ser diferentes, mas, o conteúdo é o mesmo), já que Dilma e Serra não são opções por serem de total igualdade de conteúdo. Em linhas gerais, não é também uma situação de difícil saída, já que a alternativa do voto nulo é um caminho que significa não legitimar as ações do próximo governo. Desta forma, não havendo um candidato de ideal absolutamente oposto não podemos esperar muita coisa do novo chefe do executivo nacional muito menos uma mudança que resulte em benefícios reais para a nação.

E o Rio de Janeiro ainda continua lindo...

 Passado o primeiro turno das eleições, o povo reconduz ao cargo de governador do estado do Rio de Janeiro uma das mais arrogantes figuras políticas nacionais, numa votação que reflete o uso da máquina estatal em benefício próprio onde tivemos desde a antecipação de vencimentos dos servidores públicos até a avalanche propagandista que maquiou a realidade e para os mais desavisados casou a sensação de que estamos morando na Suíça.

 Dias antes da eleição, uma senhora permaneceu por doze horas numa ambulância por não conseguir atendimento no hospital vindo a falecer horas depois de, finalmente, ser internada. Esta semana vivemos, novamente, experiências terríveis por toda a cidade, ‘arrastões’ em lugares diversos, terror generalizado, um verdadeiro caos urbano e parece que mais de 60% dos moradores do estado não perceberam isso!

 A imagem vendida durante o ano inteiro na campanha publicitária do governo em nada se parece com o Rio em que vivemos, seja em qualquer parte da cidade. A suposta pacificação se mostra paliativa, oculta o problema, não há enfretamento, o comércio de drogas continua a existir e há migração da marginalidade para outros locais, a polícia agora esta nos morros e no asfalto “a lei quem faz é nóis”. Nas comunidades mais violentas esse programa de ocupação não passa nem perto.                                                                     

Infelizmente, mesmo com toda desordem geral e irrestrita vivida no belo estado do Rio de Janeiro e, sentida ainda mais na capital, a população do estado optou pela continuidade deste sistema aristocrata e elitista, obviamente influenciada pela ausência de discussão dos temas e pelo constante massacre midiático feito pela coligação política e assim, teremos mais quatro tenebrosos anos de desgoverno com educação, saúde, segurança de péssima qualidade, porém, com belíssimas informações fictícias nos intervalos comerciais.

 

Muito Além de Os Mercenários em 3 D


 Há pouco menos de uma semana a televisão noticiou as terríveis cenas do tiroteio em São Conrado, homens saltando de carros e abrindo fogo a esmo, invadindo um hotel, fazendo reféns. Esta certo que estamos no Rio de Janeiro e aqui, essas cenas não são tão incomuns, mas, ganham maior repercussão quando se trata de Zona Sul da cidade, num dos bairros onde a elite reside, talvez isso os faça pensar que o problema existe e que esta mais perto do que imaginam, que a coisa pode acontecer com eles também. A idéia de pacificação é só abstrata, o medo sim, é real.

 O que se passou naquelas horas e o que vem acontecendo nesta cidade nenhum cineasta conseguiria imprimir num realismo tão grande, nem se usasse tecnologia 3 D. O que os cidadãos sentem em todos os sentidos, todas as dimensões é impotência, é a sensação de que a qualquer momento poderão ser as próximas vítimas. Essa é a pergunta insistente diante de tais acontecimentos. De qualquer lugar pode vir o tiro, da arma de quem deveria proteger, da arma de quem não deveria estar armado! Integraram a fatalidade ao cotidiano.

 Querer colocar a polícia no morro é criminalizar a população que lá se encontra, não há razão para criar zonas de segurança e deixar a bandidagem migrar pelo Estado, essa regra é tão simples, é como dedetizar um apartamento sem comunicar aos vizinhos, dias depois, os outros apartamentos estarão cheios de insetos; Além do mais, pelo que presenciamos, não tem funcionado essa chamada ação pacificadora, onde o crime impera de verdade o Estado se faz ausente e, onde isso acontece, o poder paralelo é o que vale; mães não podem enterrar os filhos, bandidos tomam meninas por mulher; morador é aviltado e uma série de outras barbáries é cometida.

 A política de segurança, definitivamente, não é séria, como não são sérios os senhores que dela estão à frente, temos um governador que sempre se mostra despreparado, um mauricinho chorão, que não enfrenta os problemas e um secretário de segurança que tem um discurso teórico-filosófico, não poderia dar em grande coisa senão nesta terrível hediondez diária.  

 Obvio que inúmeros são os fatores que desencadeiam a violência, mas, um deles é preponderante e de onde derivam todos os outros: a falta de capacidade administrativa ou incompetência mais pura e absoluta da classe política que atua em todos os níveis de governo.

 As imagens mostradas são mais chocantes que qualquer produção cinematográfica, por isso, esta cidade seria muito melhor se ao deixarmos o cinema não encontrássemos as mesmas cenas nas ruas.

 

 

 

  

Com alegria comunico que meu blog foi indicado ao prêmio Top Blog 2010 e esta concorrendo na categoria "variedades".

Você pode votar nele clicando no link ao lado! Conto contigo!

Abraços

 

Uma Novela Chamada: Brasil 2014

Grande parte da população não sabe que a Confederação Brasileira de Futebol é uma entidade privada, pela notoriedade que esta instituição tem e por ser o futebol o esporte em maior evidencia no país tem muita gente que acredita ser a CBF uma instituição de natureza autárquica ou regulatória, logo, ligada, ao governo federal.

É possível ainda que esta concepção quase unânime parta justamente das relações que existem entre estes entes, a legislação que regula o esporte, em linhas gerais, é emanada do executivo e legislativo, mas, a fiscalização e o fazer cumprir competem a CBF em nível nacional e às federações em âmbito estadual.

Sendo, portanto, uma instituição privada, nada mais natural que tenha autonomia para contratar com outras instituições jurídicas privadas que, no caso da CBF não são poucos os contratos comerciais, especialmente, depois da copa de 2002, o aumento das parcerias foi bem expressivo, o time de futebol principal que costuma contar com dois ou três patrocinadores, hoje tem 10 empresas estampando suas logomarcas nos uniformes.

Não estou questionando a liberdade de contratar e o direito que a CBF tem de comercializar (este é o termo correto, faz tempo que o futebol virou comércio, uma lucrativa atividade econômica), todavia, tenho visto na imprensa que a lei 10671/2006, conhecida com “estatuto do torcedor”, sofrerá alterações, que imporá restrições ao consumo e venda de bebidas alcoólicas nos estádios e em torno.

Há algum tempo, já foi firmado um protocolo de intenções entre a CBF e o Conselho que representa o Ministério Público, neste sentido, todavia, por meio de uma lei específica, somente os estados de São Paulo e Rio Grande do Sul fazem tal proibição, fora isso, não há qualquer objeção legal, limitando-se apenas a proibição de embalagens de vidro dentro dos estádios ou qualquer outra que possa causar riscos à segurança física, qualquer um pode comprar e consumir bebida alcoólica, inclusive, dentro de algumas arenas. 

Tudo isto traz uma discussão que é preciso ser feita, o que as pessoas são capazes de fazer para atender a interesses pessoais? Como se sabe, para a realização de jogos mundiais de futebol, o pais sede precisa cumprir uma série de protocolos que não podem ser livremente alterados. Tanto a FIFA quanto a CBF possuem patrocínio de grandes companhias de bebida alcoólica, por sua vez, o “estatuto do torcedor’, ao que tudo indica trará, claramente, a proibição do consumo e comercialização do produto dentro e fora dos estádios, num determinado raio. Então, como se resolverá este imbróglio? Veremos os valores e interesses comerciais de ambas as instituições sobrepujarem a legislação pátria, contrariando o espírito da lei que é o de proteger, conferir segurança a todos que freqüentam os jogos ou, não menos pior, os lobistas de plantão entrarem em cena para extirpar da lei aquilo que contraria o interesse econômico da CBF?

São cenas do próximo capitulo de uma novela chamada Brasil 2014. São perguntas que precisam ser feitas, questionamentos necessários, uma vez que estão em jogo não apenas trinta e tantas seleções, mas, os interesses nacionais que não se podem curvar diante do interesse privado e de apenas alguns bolsos de cartolas que ocupam determinados cargos como parasitas sem cura.

 

A CBF E A JABULANI “PATRICINHA”

Pode parecer devaneio, fantasia ou meu espírito crítico esta me fazendo ver coisas onde não existem, mas, a se julgar pelas entrevistas que vem sendo realizadas com jogadores da seleção brasileira, estranho o tom dos comentários desfavoráveis à bola oficial dos jogos, batizada de Jabulani, produto este fabricado pela empresa Adidas. Tudo soa como uma oportunista e tendenciosa posição mercadológica orientada.

Isto porque, a seleção brasileira é patrocinada pela empresa Nike, outra gigante de material esportivo, concorrente direta da Adidas, fabricante do produto. Ambas, possuem contratos milionários de exclusividade tanto com atletas quanto com as equipes.

Notadamente, os atletas que criticaram a bola oficial estão entre os atletas que possuem contratos com a Nike, o que torna mais evidente o caráter comercial das reclamações, tudo isto fica mais claro na medida em que os atletas não patrocinados diretamente pela Nike se posicionaram contrários ou ao menos, não mencionaram qualquer irregularidade na bola oficial dos jogos. O jogador Kaká, inclusive, beijou a bola durante a entrevista, dizendo ainda que tais comentários sempre são feitos em competições, amenizando assim, as críticas feitas pelos outros jogadores do elenco.

Tudo, portanto, perfeitamente normal, é assim que funciona a mais suja ou pura lógica de mercado, o capitalismo em sua face mais doce ou cruel (o adjetivo fica por conta de quem lê), uma guerra comercial de proporções globais cujo exemplo claro pode ser visto até mesmo nos eventos esportivos. Não foi diferente em outras ocasiões, por exemplo, nas Olimpíadas de 1984, a empresa Nike iniciou esta estratégia de marketing ao encher as ruas de Los Angeles de outdoors, o que fez quase a metade dos norte-americanos acreditasse que era ela a patrocinadora oficial do evento quando na verdade era a empresa Converse (da marca All Star).

O fato mais claro desta política capitalista e, em todos os aspectos, individualista, se reflete nitidamente nos dez patrocinadores oficiais da Seleção Brasileira de Futebol. Haja espaço para tanta publicidade! A questão toda é a forma como tais contratos são feitos, no site da CBF não encontramos qualquer documento relacionado aos contratos, não dispomos destas informações, do que tratam e quais os valores envolvidos, para onde e como são destinados, enfim, tais elementos são completamente desconhecidos da grande população.

Como quase tudo no Brasil acaba em CPI e estas, salvo raríssimas exceções, acabam em nada, com a CBF e seu quase vitalício presidente não foi diferente, contratos suspeitos foram investigados à moda parlamentar de inquérito e, apesar de perceberem desvantagens para a entidade máxima do futebol brasileiro, ou seja, prejuízos, não foram constatadas irregularidades.

Assim, justamente por serem desconhecidas, essas relações causam estranheza, a CBF é entidade civil sem fins lucrativos que mantém contratos milionários, só com a Nike é de R$ 160 milhões! Muito para o amadorismo assustador das competições nacionais e tamanha ingerência dos agentes de futebol. Se for verdadeira a máxima de que o ‘futebol é uma caixinha de surpresas’, a CBF é, sem dúvidas, o cofre onde esta caixinha se esconde.

Aderindo ao espírito esportivo que toma conta da nação com a aproximação da Copa, darei inicio a uma série de artigos envolvendo o tema futebol. 

 

  A Copa do Mundo é Nossa?

 A euforia típica do período da Copa do Mundo de Futebol esta começando. Cada brasileiro se torna um técnico, ruas enfeitadas, palpites na escalação, bolões, exibição dos jogos em telões espalhados pelas cidades, pontos facultativos e até a esdrúxula proposta de recesso parlamentar prolongado durante o Mundial e etc., enfim, toda aquela agitação de que muitos de nós gostamos.

 O futebol é indiscutivelmente uma paixão nacional que em nós é incutida desde antes de nascer e vai se definindo na medida em que crescemos, como na escolha de um time, os primeiros contatos com a ‘redondinha’, a ‘pelota’... As idas aos estádios. Em nós meninos é muito mais forte, haja vista serem coisas com as quais temos contato ainda na mais tenra idade. Desde pequenos jogamos futebol e uma característica interessante desta modalidade esportiva é que ela nada tem a ver com a classe social a que pertençamos, em qualquer lugar há um campo e onde não há se improvisa, lembro até hoje dos meus dedos cortados no asfalto nas chamadas ‘peladas’ ou ‘golzinhos’, quando as havaianas eram milimetricamente afastadas para aumentar as chances de gol! Perdoem-me, meus velhos amigos do bairro!

 A escolha do Brasil para sede dos jogos em 2014 certamente mexeu com as emoções de nós brasileiros. Não obstante os sentimentos que envolvem a disputa de nossa seleção de futebol no maior torneio deste esporte, considerando todos esses elementos ditos acima e muitos outros que não caberiam neste blog, uma realidade não pode deixar de ser notada, estando a pouco mais de quatro anos de sediarmos o Mundial, com raras e insuficientes exceções, nada de visível foi feito em termos de estrutura para realização do evento em nosso país.

 Corro o risco de ser tachado de conspiracionista, mas, de acordo com minhas suspeitas, quando estiver muito próximo, coisa de uns dois anos e meio do inicio da Copa do Mundo de 2014, ou veremos um canteiro de obras de nível nacional e a conclusão (ou tentativa) das obras previstas num tempo recorde e a que custo e de que forma sabe-se lá ou, infelizmente, o Mundial de 2014 será na Inglaterra! Seria o primeiro caso de descredenciamento de um país pela FIFA. Necessário, mas, grotesco para a imagem do Brasil.

 Prefiro pensar que tais fatos demonstram a já evidente e histórica inabilidade administrativa e o total despreparo da grande maioria da classe política nacional a concluir que tudo não passa de mais uma jogada oportunista destas sanguessugas profissionais, sem querer fazer trocadilho. Considerando que muitos dos que lá no congresso nacional dão as caras, três vezes por semana; já que em seus calendários é esta a quantidade de dias úteis; são conhecidos por serem donos de empresas do ramo da construção civil, empreiteiras, grandes construtoras ou ainda, e o que é pior, receberem grandes somas em dinheiro de empresas deste ramo para financiarem suas campanhas. Já ocorreu de a quantidade ser tão grande que não foi possível ‘contabilizar’.

Bem amigos da rede... Nem tudo esta perdido, segundo outra teoria, o mundo acabará em 2012, então não estaremos vivos para ver mais uma farra com o dinheiro público, como reza a cartilha: obras superfaturadas, desvios de verbas e todas as outras formas de locupletamento e desperdício do erário. Logo, esses empresários políticos ou políticos empresários, como queira, não terão tido tempo de por em prática os planos de encher a burra com tantos Reais, mas, se o mundo não acabar, posso tentar fazer um esforço colossal para deixar de lado a “vergonha na cara”, todos os princípios de moral e ética, a honestidade e ceder à tentação e passar a praticar outros pecados. Hum... Acho que vou começar abrindo uma empreiteira...


[Um agradecimento à dra. Fernanda Bernardo]

"Pequenos Milagres Diários"

Hoje cedo, como sempre faço, olhei pela janela para conferir o tempo. Amanheceu nublado e um vento frio corria quase que convidando à mais alguns minutos de sono o que, apesar de tentador, não foi possível em função de compromissos logo pela manhã. Notei também que um pássaro repousava na arandela da garagem, praticamente imóvel, como se quisesse encontrar um abrigo, um lugar seguro. Passeando pelos canais da TV em busca do noticiário matinal, sobretudo, sobre as condições do trânsito, não pude deixar de perceber a quantidade de programas religiosos, sempre com tanta gente sendo curada de todos os males, desde os físicos até os financeiros...todo tipo de milagre é vendido, para todos as necessidades, gostos e até mesmo conveniência, haja vista que vai além da cura de doenças, alcança até mesmo o patrimônio, com considerável acréscimo repentino, próprio dos milagres, tem gente que consegue adquirir de carros importados a imponentes casas de veraneio.

Não é que eu não acredite em tais feitos, assumir isso seria negar minha própria existência e princípios, apenas creio mais nos 'pequenos milagres diários', os vivenciados e experimentados por todos no cotidiano, como acordar, ver a natureza agindo, ver a 'máquina' humana em movimento, respirando, errando, demonstrando sentimentos....Esses pequenos miligres do dia-a-dia dos quais quase ninguém se dá conta nem se pergunta como é possível que aconteçam.

O fato é que quase que, desapercebidamente, somos levados pela correnteza de informações, pelos conceitos febris, a ponto de se querer relativar tudo e com isso, banalizar a própria existência e as relações humanas, desta forma, tudo perde o sentido e não se consegue mair ver colorido tampouco sentir o sabor. Tudo se torna cinza e insípido e ai, a vida alheia passa a ser tratada com menosprezo e indiferença e até o menor contratempo torna-se um problema irresolúvel.

Evidentemente, as dores da alma trazem temores, afinal, como dizia minha avó, " cada um sabe onde lhe aperta o calo." Situações adversas e conturbadas tendem a turvar a visão, contudo, é preciso atentar para estes pequenos milagres que acontecem com todos nós diariamente, isso fará com que o mar revolto se acalme, permitindo sentir a leve brisa tocar o rosto e descobrir que os problemas não são tão grandes como se pensava.

É natural querer fenomênos sobrenaturais, impressionantes, eventos miraculosos que surjam e rompam ciclos de desespero e dor, entretanto, os sucessivos milagres cotidianos são tão inacreditáveis quanto ser curado de um mal. Sentir o vento tocar a pele é tão miraculoso quanto voltar a andar, encher os pulmões de ar é igualmente inacreditável quanto ser curado de cancêr. A existência humana não pode ser encarada como um evento banal, um ato comum, pelo contrário, deve ser compreendida a partir dos gestos simples, dos atos singelos que orientam a própria existência. O grande milagre, o mais belo, o maior de todos, é aquele que acontece todo dia e que nos leva para todos os outros. A beleza da Vida.

 

Olá,

Bem vindos ao meu blog! Este espaço onde poderei compartilhar algumas idéias, pensamentos e particularidades do meu mundo! Entrem!

Este é meu primeiro texto aqui no blog, inaugurando uma série de outros que quero compartilhar com vocês, para começar, escolhi falar um pouco sobre esta fantástica ferramenta que é a Internet e um dos nossos mais básicos direitos, o de manifestação do pensamento.

 

 

Opinione

 

Em algum momento você já deve ter ouvido a expressão “opinião, cada um tem a sua”, e é assim que acontece, todo mundo tem opinião para tudo, desde futebol, acontecimentos políticos e, opinião à parte, até os improfícuos, como comportamento dos participantes de realitys shows . Obviamente, a relevância de cada assunto passa exatamente pela valoração derivada dos elementos que cada individuo carrega.

 

Para o filósofo francês Descartes que afirmou “penso, logo, existo” difundindo a idéia que o pensamento é inato no ser humano e a racionalidade era algo tão fundamental que o exercício da razão  através do questionamento provocado pela dúvida o permitia concluir pela própria existência. Daí porque a capacidade de entender, questionar, provocar, defender desembocam na opinião, não que toda idéia é plenamente difundida, por diversos motivos, como por exemplo, o medo do confronto ou mesmo imposição, a opinião é castrada, mesmo assim, seja ela qual for, o fato é que todo mundo tem opinião, ainda que muita gente opine sem pensar, sem refletir direito!

 

E em nenhum outro lugar é tão vasta a manifestação do pensamento quanto aqui neste instrumento universal e sísmico chamado Internet, que nos permite uma incontável gama de possibilidades, desde da conversa até complexas operações financeiras. Daí os blogs, orkut, tweeter e tantos outros mecanismos de exposição na rede, o que aumenta consideravelmente a velocidade das informações, hoje em questão de segundos ficamos sabendo de fatos que ocorrem em qualquer parte do planeta. Chega ser difícil pensar o mundo sem esta ferramenta!

 

Esta expansão assustadora e irreversível das informações na Internet ganha força e trás uma reflexão importante a cerca da liberdade de expressão, que é o direito de um individuo manifestar de forma livre uma opinião, um conceito. E, especialmente, me remete a um período onde por muito tempo tal direito foi suprimido.

 

No Brasil como boa parte dos países de nosso continente, experimentou com os regimes ditatoriais, momentos terríveis (sob minha ótica baseada nos fatos históricos, já que nasci no final do regime militar). Este período ficou marcado pela supressão de direitos civis, sobretudo, o cerceamento de liberdades individuais,  obtidos através de extremo controle institucional com o uso de repressão e à base da intolerância.

 

Uma das feições mais atormentadoras deste tipo de governo é que tolhe a voz do cidadão, a que cassa, a titulo de bem estar da sociedade, o direito de cada individuo se expressar, manifestar uma opinião contrária. Impedir este direito é tão grave quanto aprisionar a pessoa. Fazer uso da coerção e violência de qualquer tipo para impedir um posicionamento além anti-democrático é contra os princípios da própria natureza.

 

Em muitos aspectos, por mais polêmicos que sejam, é possível aprender e é na diversidade de pensamentos que aprendemos, é preciso respeitar a opinião alheia mesmo que ela não se coadune com a nossa! A atividade argumentativa é isso, se discordo de uma opinião meu argumento tem que ser no sentido de posicioná-lo de algum modo e, dependendo da situação, até mesmo esvaziar os argumentos que sustentam tal conceito, dar razões para que o que pensamos se sobreponha ao entendimento que esta sendo defendido. Respeitar não é aceitar uma atitude, uma idéia ou um comportamento como válidos e sim, reconhecer que cada um tem o direito de pensar o que quiser, é admitir a liberdade de expressão em sua plenitude que é o limite da razão e do socialmente aceitável, já que sustentar o direito de voz sem respeitar também a ética e a moralidade das ações e, principalmente, a dignidade humana é um contra-senso imensurável.

 

Embora ainda haja regimes que limitem a liberdade de expressão, como no caso do Irã e da China, a força da Internet é tão grande que consegue exibir a realidade daqueles países, os recentes acontecimentos mostram isto, a luta pelo ideal democrático e a oposição ao regime.

 

Há de se considerar que mesmo vivendo numa democracia e este é o regime adotado na maioria dos paises do mundo, ainda assim, especialmente, onde há um histórico de governos ditatoriais e diante de casos como o de Honduras, sempre surgem rumores de que nossa liberdade de exposição do pensamento pode ser cassada a qualquer instante, isto reforçado por não raros casos de perseguição política e uso da máquina pública para proteção dos ideais de quem esta no poder. Há a sensação de que não se pode “bater mais forte” ou mesmo fica evidente a manipulação da mídia para formação da opinião pública o que se reflete em “altos índices de aprovação e popularidade” deste ou daquele governante. Precisamos pensar e expor o pensamento de forma livre e desvinculada ou isenta, já que liberdade vigiada é o mesmo que não liberdade, ou como diria o Rappa, “paz sem voz é medo”.

 

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